domingo, 11 de maio de 2014

Zumbis da Armani

Cidade cinza, com início e meio, mas sem fim. Caminhar por ela é o mesmo que ligar o automático e deixar fluir, milhares de rostos só são rostos; milhares de pernas, são só paulistanos. Não param, esbarram, andam olhando para o nada; dormem quando sentam e nunca agradecem, pois dizer obrigado gasta cerca de 1 segundo. Em um ano, agradecendo uma pessoa por dia, são 365 segundos perdidos, um pouco mais de 6 minutos. Tempo suficiente pra perder o metrô da Linha Vermelha sentido Itaquera duas vezes.

Aqui não se sai pra se divertir, mas sim pra lugares caros e de preferência com gente famosa. Afinal, uma noite sem ostentação não é uma noite paulistana típica. Um dia após a saída não se discute sobre a noite em si, mas sobre o custo do cartão de crédito e o quanto ficaram "loucos". Balada sertaneja, para eles são as melhores, entretanto poucos sabem dançar de verdade. Meninas saem juntas por uma noite e no outro dia consideram-se parte de um "bonde", já são melhores amigas pelo resto da vida, se o Orkut ainda existisse com certeza vários depoimentos seriam escritos. Drogar-se e sentir orgulho de sua própria loucura. Fazer inimigos com a mesma velocidade com que faz falsos amigos; declarar-se e abrir-se com desconhecidos, talvez nem tenham se aberto mesmo, talvez seja tudo mentira. Ficar ansiosos sempre que possível; recorrer ao pai e a mãe como crianças de 8 anos quando a vida os chama pra viver. #deontem #top #amorquenaosemed #selfie 

Tudo rápido, tudo superficial. Cada dia que passa eu agradeço muito por ser do "interior", por desconfiar e por construir tudo aos poucos, sem pressa, mas de forma concreta. Ouvir Nove e Nove do Tião Carreiro e Pardinho esperando a aula começar e sentir orgulho de tudo o que agreguei em 20 anos. Elite paulistana, tenho pena de você.

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