sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Sem revisão

Amanhã concretizo a metade do meu futuro. Daqui 1 hora e 15min eu faço 20 anos. E mesmo diante de tudo isso, ainda consigo me sentar e escrever, melhor assim, que esses pensamentos tempestuosos fiquem por aqui.

Hoje fiquei calado a maior parte do tempo, eu realmente precisava de alguém pra conversar. Tentei ganhar um sutil presente antecipado, sem pedir, mas pedindo. Confesso que quase implorei. De nada adiantou, gravei minha voz por alguns momentos pra tentar suprir esse silêncio infernal, gostaria de poder falar com o espelho às vezes. Não sei por quanto tempo vou querer me decepcionar, dói ficar tentando, e tentando, e tentando, no entanto o final é aquele já sabido. Faço as escolhas erradas e fico tentando consertar. Queria que a coragem falasse mais alto que o amor nos ouvidos desse coração: surrado, cicatrizado, insano e meio surdo.

Odeio envelhecer, mas hoje tanto faz. Tanta coisa me desagrada, se eu for adicionar outros desagrados a coisa só tende a piorar. Que fiquem os essenciais, envelhecer é natural, não posso codená-lo hoje. Um homem, sempre tive essa ideia desde criança. Só se é homem depois dos 19, porque quando se faz 18 demoram dois anos pra se acostumar com tudo, além da mudança na casa das dezenas, acho que o segundo era mais importante na minha meninice. No final das contas eu não me acho homem, idade é a maior balela. São números e de números eu não entendo muito bem, só serei homem de verdade quando puder dizer não quando eu bem entender. Será que eu serei homem antes de morrer?

Queria muito me presentear. Meu maior presente seria ficar em casa, deitado no colo da vó Berenice, ouvindo meu avô assoviar com seus passarinhos no fundo de casa, enquanto escuto o barulho metálico das colheres batendo nas panelas, é minha mãe fazendo nosso almoço. Sabendo que ela sorri enquanto cozinha, pois sabe que a dor se foi, a dor se foi no momento em que aquela senhora pisou naquela casa. Olhar naqueles olhos azuis claros e ver um sorriso, mesmo que a boca não precise dizer nada, talvez eu nunca mais veja tal fenômeno. Pra dizer a verdade, um abraço nela e nele já seria esplêndido.

João Victor, Vito, Titíti, Johnny, John John, João, Andraus, Alemão, Rick... Alguns apelidos se perderam junto com aqueles que eu também já perdi. Os que importam eu quero citar, mas nenhum conseguirá me descrever por completo, o eu real. Se todos se juntassem em um só nome, coisa de nobre da corte, nem assim eu seria descrito. Falta o meu apelido, aquele que eu me chamo, aquele que eu mudo todos os dias. Esse só eu sei.

O meu presente número dois seria um sonho na forma de máquina do tempo, cada hora dormida equivaleria a um ano atrás. Não sei se dormiria por mais de 12 anos, eu sei que conseguiria estragar toda a minha infância com a mentalidade que tenho hoje. Pra ser sincero eu queria dormir, e só, dormir daqui até o final e que o início do sonho já fosse o fim.



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